quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Carta de mim para ti...

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Estas são as palavras que nunca te direi meu amor, quero apenas que escutes as palavras que o meu coração em silêncio te diz.Falar nunca foi o meu forte (tu sabes disso), mas hoje não me conti...Ontem a noite perguntas-te me se sei quem sou, e eu..subitamente aterrorizada desviei o olhar. Não, não sei...e também não ouso dizer-te em palavras, nem ouso deixar nos teus olhos, o reflexo das minhas lágrimas. Nem nas tuas mãos, as minhas mãos frias e trémulas...então triste procurei a ambiguidade relachante do vazio, e fiz o que sempre faço, tranquei-me no meu quarto, mesmo sabendo que o teu abraço seria o meu porto seguro, fiquei calada, pois tinha medo...pois so tu sabes as tempestades que juntos enfrentamos..tu disseste para eu nao fugir, e que juntos venceriamos, mas eu precisava do silêncio...o silêncio desde miuda me ajudou a perceber onde estou desafinando na vida...fui pra janela, senti conforto no vazio da noite, dúvidas invadiram a minha mente...Duvidas e mais duvidas denunciam-me os gestos, desajeitados, demasiado rápidos e nervosos. Como sempre! E como sempre, refugio-me por detrás das paredes, do meu sepulcral silêncio! Não sei mentir…Perguntaste-me se sei o que procuro nas subtérreas e escusas gavetas da minha perene inquietação e eu, uma vez mais, disfarçei com um sorriso leve, tão neutro quanto possível e um rápido piscar de olhos…Tudo me veio a lembrança, e o meu olhar aflito ainda perdido no meu eu, no vazio da distância, em busca de um ponto onde se fixar. Minhas mãos trémulas, cada vez mais inquietas, a remecher continuamente o labirinto do meu coração.Se ao menos te soubesse responder…se ao menos não parasse de pensar na decepção ao descobrir, o homem, imperfeito, por detrás do modelo que inventaste,e te ajudei a inventar sem saber...quando consentidamente te anulaste pelo prazer de me agradar.Se ao menos não tivesses escondido de mim, por tanto tempo, as mascaras que por intuição, uns e outros desejavam, ao ponto de me habituar a elas e me refugiar de mim...Se ao menos pudessemos começar do zero, depois de nos termos perdido no teatro do nosso namoro...Perguntas-me se sei porque contraponho sempre tantas dúvidas às certezas que ja alcancei...acreditas mesmo nisso? Como se tivesse alguma certeza...Não sei! Não, não sei... Grito, em surdina, dos confins do meu corpo e tudo em mim, respira e se agita, vivendo a angústia desse grito. Nem sei, sequer, porque padeço e desespero e ainda assim, insisto sempre na descoberta do que não é vísivel…Não sei, mas sinto que me desdobro, que há pelo menos mais uma vida, feita de incongruências, de singulares imperfeições e de verdades inconfessáveis, a pulsar dentro da vida que irreflectidamente escolhi viver… Não sei, mas sinto, com o latejante e sofrido coração desta alma vagabunda que carrego de vidas para vidas, que o que é vísivel aos olhos, não tem que ser, infalivelmente, verdadeiro nem, tão pouco, necessário para se ser feliz. E é o pressentimento vivo e sagaz dessa segunda presença de vida, em mim, que me faz cogitar e suspeitar que, hoje, talvez a única coisa realmente válida e importante na minha vida, seja este incessante e tumultuoso mar de dúvidas que transporto numa, cada vez mais, alucinante viagem ao interior da minha própria identidade…Esta é uma carta sem resposta..de mim pra ti. Eu sou parte de ti, juntos nos somos o todo. Carta do amor que te dei, do amor que recebi.
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2 comentários:

Maíra disse...

bonito texto, mas gostaria de lhe avisar que remexer se escreve com "x".

sónia andreia disse...

LINDA ESTA UM ESPECTACULO DE CARTA,É MUITO BONITA E SENTIDA.